22.8.16

Todas as gaivotas me perseguem

Saul Landell

Sem embaraço vou arrancar, com as unhas,
os pregos do barco que inventei.
Quero afundar-me e medir o fôlego
em que me salvo.
Enconcho as mãos para transpor a maré
e o litoral devassado pelo lodo.
Enrolo os pulsos em redes de pesca
e todas as gaivotas me perseguem.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015

47 comentários:

✿ chica disse...

Mais uma maravilhosa poesia,Graça! Te ler faz bem! bjs, chica e linda semana!

Daniel Costa disse...

Graça Pires

Poema de que se pode extrair ideia da grandeza da capacidade que a poetiza tem de imaginar.
Veja e comente o post
MINAS GERAIS - BANDEIRANTES
http://amornaguerra.blogspot.pt/
BRASIL: SORRISO DE DEUS.
Beijos

Alfredo Rangel disse...

Nos barcos que inventei também tudo posso. Nos olhos que me vêem encontro as forças de que preciso. Mais e mais. Beijo.

Agostinho disse...

Mais uma preciosidade da "Claridade".

..."e todas as gaivotas me perseguem"
na esperança que eu deixe o dízimo peixe
do contrato da salvação.
Ou então, o sufoco do garrote ?

Bj.

Simone Felic disse...

Olá Graça
Mesmo assim nunca deixo de lutar, adorei o
poema.
Bjs e boa semana.

http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

Lídia Borges disse...

"Quero afundar-me e medir o fôlego
em que me salvo."

Em que fôlego se salva o poeta que tanto se dá?

Beijo meu

Lídia

Toninho disse...

É gratificante poder ler sobre seus maravilhosos mergulhos na poesia.
As figuras da linguagem tão bem inseridas nos faz viajar no seu barco,
assistidos pelas gaivotas que oram assombram, ora nos encantam.
Lindo demais Graça.
Linda semana com festa no coração.
Bjs de paz.

Maria Rodrigues disse...

Profundo e belo poema.
Beijinhos
Maria

Lucinalva disse...

Olá Graça
Belo poema, bjs e uma ótima tarde.

José Vilhena Moreira disse...

Gosto muito deste poema. "Enconcha-me" a alma.
bj

Jaime A. disse...

Navegar é uma tarefa árdua, temos de nos despedir de tanto e de abarcar tanta coisa nova.
Atar os pulsos com redes de pesa é antecipar o regresso, mesmo com a perseguição de quem foge das tempestades.
Adorei o teu poema.

PS - O cão era (é) lindo e já partiu e era um grande companheiro. Acho que quis deixar-lhe uma pequena homenagem no blogue. Obrigado pelas palavras que lhe deixaste.

Nequéren Reis disse...

Poema maravilhoso amei, obrigada pela visita, tenha uma semana abençoada.
Blog:https://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

Ana Tapadas disse...

E eu regresso a esse mar que tu olhas...a mim me perseguem as cegonhas.

Beijo

A Nossa Travessa disse...

Gracitamiga

Gaivotas a perseguir-te? Esplendoroso! Sabes aliar sentimentos a coisas com a mestria que alguém te deu. Sabes alinhar as palavras ligadas umas às outras como as cerejas. Sabes conjugar o mar com as redes de pesca. Enfim, não me canso de dizer que és Poesia. Bem dita sejas.

Qjs do Leãozão

___________

Na semana passada fui à minha médica de família que, depois de me ter observado cuidadosa e minuciosamente, disse-me que eu poderia ter Parkinson. Como deves compreender, fiquei muito abananado, quase perdi a cabeça, enchi-me de medo e até pensei em abandonar a escrita – o que para mim seria fatal!

Até escrevi um imeile à Maltamiga sem mencionar o nome da doença, o que motivou centenas – exactamente centenas – de resposta desejando-me as melhoras e solidarizando-se comigo. Malta bué da fixe!!!!
Entretanto, com a ajuda de dois médicos meus amigos durante os primeiros cinco anos do Camões que trataram de me acalmar pois com os novos medicamentos que entretanto apareceram eu iria passar muito bem. E indicaram-me neurologistas, para tirar dúvidas.

Marquei já uma consulta para um deles que os meus amigos disseram-me que era competentíssimo. Depois do diagnóstico final, vou comunicar-te o resultado.

Aproveito o ensejo para agradecer do fundo do coração a todas e todos que me manifestaram a sua preocupação, o seu apoio e a sua amizade, deixo aqui um muitíssimo obrigado!



O Puma disse...

Uma pérola

Bjs

Cidália Ferreira disse...

Poema lindo demais. A imagem é divina. Amei
Desculpe a demora. O sistema não actualizou.

Beijinhos
http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Jaime A. disse...

Muito obrigado pelas suas palavras. Nenhum animal é substituível , mas tenho agora a companhia de uma cadelinha. O feitio e o aspecto físico são o oposto dos do cão. Mas nunca o esquecerei.

Laura Ferreira disse...

gosto muito destes teus voos

Tais Luso disse...

Querida Graça, mais um belo e forte poema, uma característica tua que nos faz pensar...
E essa 'foto-arte' está maravilhosa.
Um beijo, Graça.

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
A LUTA PELA VIDA, PELO QUE SE ACREDITA, DEVE SER ASSIM, DE TITÃ.
LINDO DEMAIS AMIGA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

LuísM Castanheira disse...

ser poema e ser
livre, também um peixe deve ser.

as prisões estão onde menos se esperam.

gostei imenso desta "fuga" libertadora e da beleza construtiva.

um poema de regresso ao mar, com o lodo no olhar...sublime (como sempre).

um beijo, Graça, e permita-me deixar uma nota:
- Ao Ferreira Antunes desejo-lhe saúde!


Marta Vinhais disse...

E o que é a vida se não lutar para alcançar o horizonte? Voar por entre as nuvens, as gaivotas e os trovões?
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Suzete Brainer disse...

Este é um poema de além da inscrição expressiva excelente, as metáforas
nos conduzem ao voo da poeta e metaforicamente as gaivotas como o
voo dos pensamentos na rota da inquietação!...

Amiga Graça, pode ser que eu tenha me equivocado na minha leitura,
mas li e senti assim.

Cada vez mais fã da sua poética.
Beijo.

Aline Goulart disse...

Que postagem linda! Uma imagem magnífica e um poema extraordinário. Gostei muito das metáforas utilizada neste poema. Viver é navegar na imensidão de possibilidades e de vontades. Beijinhos...

Manuel Veiga disse...

essa, a vocação do poeta: superar-se, ou perder-se!
livremente. como gaivotas em voo planado.
(metáforas das boas - as tuas. rss)

gostei muito, Graça.

beijo

Pedro Luso disse...

Parabéns, Graça, por este belíssimo poema.
Uma boa semana.
Abraço.
Pedro.

Diana Lestan disse...

Amiga Graça,

Mais um poema lindíssimo, senti como um mergulho a si mesmo, uma procura e uma certeza daquilo que os pertence de verdade, só temos a nós mesmos, as nossas "gaivotas", os sonhos de transpor-se, de libertar-se das amarrar e voar, voar e voar livremente...
Querida, um beijo e ótima semana.

Sinval Santos da Silveira disse...

Oi Amiga, Graça Pires !
Vejo a força da bravura, testando
os limites da conquista.
É um destemido poema, simbolizado
por uma força sobre humana.
Parabéns, querida, com o meu
fraterno abraço, aqui do Brasil.

Gabriel disse...

Definitivamente seu poema me traz visões, e eu adoro isso.

Particularmente adorei esse trecho:
" Enconcho as mãos para transpor a maré
e o litoral devassado pelo lodo."

Abraço!

Poções de Arte disse...

Se perder para depois se encontrar - a vida sempre fala mais alto.
Belo poema.
Abraços e feliz dia.

ManuelFL disse...

Arranco os pregos de um barco que inventei.
Quero afundar-me para depois me salvar.
Transponho a maré para ultrapassar um litoral de lodo.
Enrolo os pulsos para que as gaivotas me persigam.

O que para mim a poeta nos diz é que viver é lutar, nem que para isso tenhamos de construir ou inventar desafios à medida da nossa rebeldia ou de uma ambicionada condição humana.

A fotografia é espantosa. As gaivotas pousaram para proteger a cadeira e esperar a chegada de alguém? Para adorar ou sacrificar? Ou ambas?

Mariangela do lago vieira disse...

Nada intimida quem tem sede de vida!
Lindo demais, parabéns Graça!
Beijos,
Mariangela

teresa p. disse...

A vida é uma luta constante que exige desafios corajosos. A poeta usa palavras mágicas para transmitir esta realidade: "Quero afundar-me e medir o fôlego em que me salvo".
O poema é pleno de metáforas maravilhosas e e foto é muito bela.
Beijo.

São disse...

Temos que ter coragem para enfrentar a Vida!!

Beijinhos, amiga minha

graça Alves disse...

Graça, como decerto saberá,isto é tão bonito que nem sei que dizer mais...
beijinhos

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Ailime disse...

Bom dia Graça,
Partilha um dos seus magníficos poemas do seu Livro Uma Claridade que cega.
Há momentos em que nos sentimos afundar, em que tudo o que nos rodeia parece arrastar-nos e a prender-nos nos lodos da vida. O Poeta tem sempre a liberdade dos gestos na superação das dificuldades.
Um momento de elevada poesia.
Um grande beijinho,
Ailime

Catarina H. disse...

Obrigada por partilhar mais um dos seus maravilhosos textos.
É de uma beleza sublime e transborda de sentimentos. Identifico-me.
Beijinhos

Majo Dutra disse...

Uma apneia metafórica assaz interessante e corajosa!
É bom conhecermos os nossos limites...
Um brilhante poema de uma claridade preclara.
Beijo, Poeta amiga.
~~~~~~~~~~~~

As Mulheres 4estacoes disse...

Um poema com palavras de força, na superação dos obstáculos.
Um abraço,
Sônia

solfirmino disse...

Já vim aqui umas 3 vezes reler este poema e continuo sem ter o que comentar... Lindo!

José Carlos Sant Anna disse...

Tens a alma clara e a claridade é o destino da sua poética.
Nela nos afogamos. E sempre voltamos à superfície.
Belíssima condensação imagética!
Beijos,

Evanir disse...

Como muito carinho estou passando
para deixar meu carinho ,
também desejar um abençoado e feliz final de semana.
Peço perdão pela minha ausência ,
acredite não foi por falta de amor,
mas para tratar de mim mesma .
Deus esta comigo .. contigo ..e com todos q nele crê...
Te carinho com um doce e afetuoso abraço.
Que , Deus cuide de você dando sempre
saúde pois sem ela nada somos nada seremos.
Um beijo carinhoso.
Evanir.
Lindo minha amiga escreves infinitamente com a alma.

Jaime Portela disse...

Por vezes é bom testarmos os nossos limites.
Mas sem nos afogarmos...
Excelente poema, como sempre.
Graça, tem um bom domingo e uma boa semana.
Beijo.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Bom dia, Graça, que belas metáforas você construiu em seu maravilhoso poema. Quem sabe uma desconstrução.....o que fazemos para que possamos viver e conhecer nossos limites ...Coragem para deixar a transparência dos sentimentos , sejam de dor ou de amor, virem a tona....Lindo! Tenha um belo domingo! Abraço!

Odete Ferreira disse...

Um poema de superação do sentido poético que a poeta extrai da palavra.
Fantástico mergulho, Graça!
BJO :)

Mãe Maria disse...

Muito interessante este poema